Como instalar uma wallbox em casa: requisitos, potência e preço
Descubra o que é necessário para instalar uma wallbox em casa, incluindo potência contratada, cabos, disjuntores, diferenciais tipo A e tipo B, custos de instalação e requisitos em moradias e condomínios. Um guia prático baseado nas regras aplicáveis em Portugal para escolher a solução mais adequada ao seu veículo elétrico.
Guia para Instalação de Wallbox Doméstica
A instalação de uma wallbox em casa levanta frequentemente a questão da sua dependência da instalação elétrica existente. Embora seja verdade, esta resposta é por vezes vaga para o utilizador. Este guia fornece referências concretas, utilizadas por eletricistas, para compreender e estimar a sua própria instalação.
As informações aqui apresentadas baseiam-se nas regras técnicas aplicáveis em Portugal, nomeadamente o RTIEBT (secção 722, Portaria n.º 252/2015), o Guia Técnico da DGEG para instalações de alimentação de veículos elétricos, as normas internacionais IEC 61851 e IEC 62955, bem como dados de fabricantes de wallboxes e de proteções elétricas.
É crucial salientar que este guia não substitui o projeto e a avaliação técnica realizados por um profissional habilitado. No entanto, oferece uma base sólida para entender orçamentos e formular as perguntas certas aos técnicos.
Tomada, Tomada Reforçada e Wallbox: Quais as Diferenças?
É importante distinguir entre as diversas soluções de carregamento frequentemente confundidas antes de abordar cabos e proteções elétricas.
Tomada Doméstica Comum (Tipo Schuko): Não foi concebida para fornecer corrente elevada de forma contínua por longos períodos. Pode ser usada ocasionalmente, com um cabo apropriado para veículos elétricos e a uma corrente reduzida, mas não é a solução ideal para carregamentos diários.
Tomada Reforçada: Desenvolvida especificamente para veículos elétricos, suporta correntes mais elevadas do que as tomadas comuns e pode incluir proteções térmicas. Contudo, requer um carregador portátil (EVSE) para comunicar com o veículo e, tipicamente, não oferece as funções de gestão e controlo de uma wallbox.
Wallbox: Um equipamento fixo que comunica diretamente com o veículo, gerindo a corrente de forma controlada. Dependendo do modelo, permite programação, monitorização e gestão dinâmica de carga. É a opção recomendada para uso diário e prolongado.
A seleção entre estas opções depende da frequência de uso e da instalação existente. Uma tomada reforçada não é inerentemente insegura, mas serve propósitos diferentes. A escolha deve ser ponderada de acordo com as necessidades.
Nem todas as wallboxes incluem todas as proteções necessárias. Algumas integram deteção de corrente contínua residual, outras não; algumas permitem gestão dinâmica de carga, outras não. O manual de cada modelo detalha o que está incluído e o que precisa ser adicionado no quadro elétrico.
Tabela de Dimensionamento por Potência para Wallbox
A tabela seguinte resume as combinações mais frequentes entre potência, cabo, disjuntor e diferencial. São referências habituais em instalações residenciais portuguesas, não uma prescrição fixa: o projeto final depende do comprimento do circuito, do método de instalação, da temperatura, do agrupamento com outros cabos, da queda de tensão admissível e das instruções do fabricante da wallbox.
Notas Importantes:
A secção de cabo indicada corresponde a valores frequentemente encontrados em projetos com percursos curtos a médios; não deve ser lida como um mínimo absoluto nem como uma escolha automática, porque o cálculo depende de vários fatores em conjunto.
Um disjuntor com corrente nominal superior à da wallbox não substitui um cabo insuficiente: o cabo tem de ser capaz de suportar, com margem de segurança, a corrente que o disjuntor deixa passar.
Potência | Alimentação | Tensão Considerada | Corrente Máxima Aprox. | Número de Condutores | Secção de Cabo Frequente | Disjuntor Frequente | Proteção Diferencial Possível | Situações Alteradoras da Solução |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
3,7 kW | Monofásica | 230 V~ | 16 A | 3 (fase, neutro, terra) | 2,5 mm², podendo subir para 4 mm² | 16 A ou 20 A, curva C | Tipo A com 6 mA DC integrado e certificado; tipo B nos restantes casos | Percurso longo, tubo partilhado, temperatura elevada |
7,4 kW | Monofásica | 230 V~ | 32 A | 3 (fase, neutro, terra) | 6 mm², podendo subir para 10 mm² | 32 A ou 40 A, curva C | Tipo A + RDC-DD 6 mA (se certificado) ou tipo B | Distância acima de ~25 m, método de instalação, queda de tensão |
11 kW | Trifásica | 400 V entre fases, 230 V por fase | ~16 A por fase | 5 (3 fases, neutro, terra) ou 4 sem neutro | 2,5 mm² a 6 mm², consoante o percurso | Tetrapolar ~16 A ou 20 A, curva C | Tipo A + RDC-DD ou tipo B, conforme certificação | Comprimento do circuito, necessidade real de neutro, contador dedicado |
22 kW | Trifásica | 400 V entre fases, 230 V por fase | ~32 A por fase | 5 (3 fases, neutro, terra) ou 4 conforme equipamento | 6 mm² a 10 mm², consoante o percurso | Tetrapolar ~32 A ou 40 A, curva C | Tipo A + RDC-DD ou tipo B, conforme certificação | Poucos veículos aceitam esta potência em AC de fábrica; confirmar compatibilidade |
Cabo e Número de Condutores na Alimentação de Wallboxes
Na alimentação de uma wallbox, o número de condutores necessários varia consoante o tipo de alimentação elétrica.
Alimentação Monofásica
Em instalações com alimentação monofásica, o circuito de uma wallbox requer, em regra, os seguintes condutores:
Fase
Neutro
Condutor de proteção (terra)
Alimentação Trifásica
Para a alimentação trifásica, o número de condutores depende das especificações da wallbox:
Algumas wallboxes trifásicas podem funcionar apenas com as três fases e a terra, dispensando o neutro.
Outras wallboxes trifásicas exigem a presença de um condutor neutro para certas funções internas.
É fundamental consultar o manual do fabricante da wallbox para confirmar esta informação antes de definir o tipo de cabo a utilizar.
Outras Considerações sobre o Cabo
A designação exata do cabo (por exemplo, adequado para instalação enterrada, ao ar livre, dentro de tubo ou em calha) deve ser determinada pelo método de instalação escolhido para o percurso.
A presença de um condutor verde e amarelo (terra) não garante, por si só, a adequação da ligação à terra. A eficácia da ligação à terra deve ser sempre verificada e testada por um profissional qualificado.
Impacto da Distância na Secção do Cabo
A distância entre o quadro elétrico e a wallbox tem um efeito direto na queda de tensão que ocorre ao longo do circuito. Uma maior distância pode exigir o aumento da secção do cabo, mesmo que a corrente seja a mesma, para compensar esta queda de tensão.
A tabela seguinte oferece uma referência indicativa para circuitos monofásicos de 16 A e 32 A. Contudo, é importante realçar que esta tabela não substitui um cálculo detalhado de queda de tensão feito para cada caso específico.
Distância ao Quadro | Circuito de 16 A (3,7 kW) | Circuito de 32 A (7,4 kW) | Factores que Podem Exigir Aumento da Secção |
|---|---|---|---|
Até 10 metros | 2,5 mm² costuma ser suficiente | 6 mm² costuma ser suficiente | Instalação em tubo com outros cabos, temperatura elevada |
Entre 10 e 25 metros | 2,5 mm² a 4 mm², consoante o método | 6 mm² continua frequente, confirmar queda de tensão | Curvas no percurso, agrupamento de circuitos, instalação embutida |
Entre 25 e 50 metros | 4 mm² é uma referência comum | Frequentemente sobe para 10 mm² | Queda de tensão acima do limite, corrente próxima do limite do cabo |
Mais de 50 metros | Normalmente exige recálculo dedicado | Normalmente exige recálculo dedicado | Compensa avaliar quadro secundário junto ao estacionamento |
Esta tabela serve apenas para ilustrar como a distância pode influenciar a escolha da secção do cabo. A decisão final deve ser baseada num cálculo que considere, de forma integrada, os seguintes fatores:
Corrente
Queda de tensão permitida
Método de instalação
Temperatura ambiente
Agrupamento de cabos
A distância não deve ser o único fator a ser avaliado isoladamente.
Que disjuntor utilizar numa wallbox?
O disjuntor protege o cabo e o circuito contra sobrecargas e curto-circuitos. A corrente nominal não deve ser escolhida isoladamente: tem de ser compatível com a corrente da wallbox, a capacidade do cabo escolhido, o método de instalação e as instruções do fabricante do equipamento.
Como referência prática, uma wallbox configurada para 16 A costuma ser associada a um disjuntor de 16 A ou à configuração indicada pelo fabricante, enquanto uma wallbox a 32 A costuma ser associada a um disjuntor de 32 A ou de 40 A, consoante a margem de segurança definida no projeto.
Em alimentação trifásica, utiliza-se normalmente um disjuntor multipolar, tripolar ou tetrapolar, dimensionado para a corrente por fase. A curva de disparo também é importante. Exemplos como C16, C20, C32 ou C40 são frequentemente vistos em instalações de wallbox, mas são exemplos comuns e não uma prescrição universal: a curva adequada depende do equipamento, das correntes de arranque previstas e das instruções do fabricante.
Que diferencial utilizar numa wallbox?
Esta é provavelmente a decisão técnica mais mal compreendida numa instalação de wallbox, e onde mais vale a pena ser concreto. O carregamento de um veículo elétrico pode gerar uma corrente residual contínua no circuito. Um diferencial convencional, do tipo AC, não deteta este tipo de fuga de forma fiável, o que levou a soluções específicas para este tipo de carga.
Diferencial tipo A
Pode ser utilizado quando a própria wallbox possui, integrado e certificado pelo fabricante, um sistema de deteção de corrente contínua residual de 6 mA (conhecido como RDC-DD). Nestas condições, a combinação de um diferencial tipo A a montante com a deteção interna do equipamento é uma solução prevista pela norma IEC 61851-1 e aceite por vários fabricantes.
Diferencial tipo B
Costuma ser necessário quando a wallbox não tem essa deteção interna, ou quando o fabricante exige expressamente esta proteção no manual. É a solução que cobre tanto correntes alternadas como correntes contínuas de fuga, sem depender de nenhuma função adicional do equipamento.
Diferencial tipo A-EV
Esta designação aparece em catálogos de alguns fabricantes para diferenciais tipo A reforçados, pensados especificamente para carregamento de veículos elétricos. Onde exista esta designação no mercado português, a sua aplicação depende igualmente de estar prevista no projeto e de ser compatível com o equipamento instalado.
RDC-DD de 6 mA DC
Pode estar integrado na própria wallbox, como já foi referido, ou ser instalado como dispositivo separado no quadro, quando o equipamento não o inclui. A opção depende da solução técnica escolhida para o caso.
Sensibilidade
Para proteção de pessoas, é normalmente considerada uma sensibilidade de 30 mA, mas a escolha final deve sempre confirmar as regras técnicas aplicáveis e o manual do fabricante, já que alguns equipamentos ou configurações podem ter exigências próprias.
Circuito com proteção diferencial própria
O circuito da wallbox deve, em regra, ter a sua própria proteção diferencial, separada dos restantes circuitos da casa. Isto evita que uma eventual fuga de corrente no carregamento desligue, ao mesmo tempo, a iluminação ou as tomadas de outras divisões.
Características Wallbox | Proteção Diferencial Necessária | Inclusão no Quadro | Confirmações a Fazer | Erro Comum a Evitar |
|---|---|---|---|---|
Deteção 6 mA DC integrada | Tipo A (30 mA), dedicado ao circuito | Sim | Certificação do fabricante para esta combinação, conforme IEC 61851-1 | Assumir que qualquer wallbox com este selo dispensa diferencial a montante |
Wallbox sem deteção de 6 mA DC | Tipo B (30 mA), dedicado ao circuito | Não | Se o fabricante exige expressamente tipo B no manual | Instalar um diferencial tipo A comum por ser mais barato |
Wallbox cujo fabricante exige tipo B no manual | Tipo B, sem exceções | Indiferente | Instruções específicas do manual, mesmo com aparente deteção própria | Ignorar a exigência do fabricante achando-a excessiva |
Equipamento com proteção diferencial integrada de fábrica | Confirmar se dispensa ou complementa a proteção do quadro | Depende do modelo | Documentação técnica que comprove tipo e certificação da proteção interna | Assumir que a proteção interna elimina qualquer proteção no quadro |
Equipamento cuja documentação não é clara | Tipo B, como opção mais segura até esclarecimento | Desconhecida | Contacto com o fabricante ou distribuidor para confirmar a especificação | Escolher tipo A apenas por ser mais barato, sem confirmação |
É importante sublinhar quatro pontos:
Não é correto dizer que todas as wallboxes exigem diferencial tipo B: depende da deteção que o equipamento já tem incorporada.
Também não é correto assumir que um diferencial tipo A comum serve para qualquer wallbox, porque muitas não têm a deteção de corrente contínua que tornaria essa solução segura.
O manual do fabricante deve ser sempre consultado antes da escolha final.
A proteção integrada na própria wallbox não elimina automaticamente a necessidade de proteção diferencial no quadro elétrico.
Quando é necessário um quadro secundário?
Um quadro secundário, instalado junto ao estacionamento, costuma fazer sentido nas seguintes situações:
O quadro principal não tem espaço físico para novas proteções.
O estacionamento está a uma distância considerável do quadro principal.
Existe mais de um carregador a instalar no mesmo local.
A instalação é feita numa garagem coletiva, com vários utilizadores.
É necessário um contador dedicado para medir o consumo do carregamento em separado.
O circuito tem de percorrer zonas comuns de um edifício antes de chegar ao destino.
Um exemplo prático: quando o lugar de estacionamento está a cerca de 40 metros do quadro da habitação, uma solução possível é instalar uma linha até um pequeno quadro junto à garagem, onde ficam reunidas as proteções da wallbox, desde que todo o conjunto seja corretamente dimensionado para a corrente, a distância e o método de instalação. Esta não é a única solução possível: noutros casos, pode ser mais adequado reforçar o cabo principal ou reorganizar o quadro existente.
Potência contratada: quando pode ser necessário aumentar?
Em Portugal, a potência contratada segue escalões definidos, entre 1,15 kVA e 41,4 kVA. Os mais comuns em habitações são 3,45 kVA e 6,9 kVA, e o limite para instalações monofásicas é 10,35 kVA; acima disso, é necessária alimentação trifásica.
Potência Contratada | Wallbox 3,7 kW | Wallbox 7,4 kW | Uso Simultâneo Forno+Placa+Termoacumulador+AC | Gestão Dinâmica de Carga | Necessidade de Aumentar |
|---|---|---|---|---|---|
3,45 kVA | Pode funcionar com restrições de uso simultâneo | Normalmente insuficiente sem limitações | Risco elevado de disparo da proteção de entrada | Ajuda a reduzir o risco, mas pode não bastar | Frequentemente considerada |
6,9 kVA | Geralmente compatível | Compatível, com atenção aos consumos simultâneos | Risco moderado, dependente dos hábitos | Recomendável para reduzir disparos | Depende dos hábitos de consumo |
10,35 kVA | Folga confortável | Geralmente recomendada para uso sem restrições | Risco baixo | Continua útil para otimizar consumos | Raramente necessária para uma wallbox |
Esta tabela é indicativa e não garante o funcionamento em qualquer cenário: os hábitos reais de consumo de cada casa podem alterar significativamente o resultado. Vale ainda referir que uma wallbox de 7,4 kW pode, em muitos modelos, ser configurada para carregar a uma corrente inferior à máxima, como 10 A, 13 A, 16 A, 20 A, 25 A ou 32 A, quando o equipamento o permitir, o que oferece uma alternativa ao aumento imediato da potência contratada.
A gestão dinâmica de carga mede o consumo da habitação em tempo real, reduz a corrente entregue à wallbox quando a casa está a consumir mais, e volta a aumentá-la quando existe potência disponível. Isto pode evitar disparos frequentes e, nalguns casos, evitar a necessidade de aumentar a potência contratada, mas depende de a wallbox e a instalação suportarem esta função.
Quanto tempo demora a carregar um carro elétrico?
A tabela seguinte apresenta estimativas para uma bateria de cerca de 50 kWh, considerando perdas típicas do processo de carregamento. São valores aproximados, não garantidos: o veículo pode limitar a potência aceite, a potência pode reduzir-se perto do fim da carga, e a bateria raramente é carregada de 0% a 100% no dia a dia.
Potência de carregamentoTempo aproximado para cerca de 50 kWh2,3 kW (tomada comum)Cerca de 24 horas3,7 kWCerca de 15 horas7,4 kWCerca de 7 a 8 horas11 kWCerca de 5 a 6 horas, se o veículo aceitar esta potência22 kWCerca de 3 a 4 horas, apenas se o carregador interno aceitar AC nesta potência; muitos veículos limitam-se a 11 kW
É importante não confundir kW, que mede a potência entregue num determinado momento, com kWh, que mede a energia total armazenada ou consumida ao longo do tempo.
Quanto custa instalar uma wallbox em casa?
Os valores seguintes são referências indicativas para o mercado português e não substituem um orçamento feito no local; os intervalos apresentados não incluem IVA, cuja taxa aplicável deve ser confirmada com o instalador consoante o tipo de obra e o imóvel.
Cenário | Distância Aproximada | Trabalhos Incluídos | Intervalo Indicativo sem Wallbox | Wallbox (Equipamento) | Fatores que Podem Alterar o Preço |
|---|---|---|---|---|---|
Instalação Simples | Até 10 metros | Circuito dedicado, disjuntor, diferencial, ligação e ensaios | Cerca de 250 € a 450 € | Cerca de 350 € a 700 € para 7,4 kW monofásica | Estado do quadro, acesso ao percurso |
Instalação Intermédia | Entre 10 e 40 metros | O anterior, mais tubagem adicional e possível reforço de secção | Cerca de 450 € a 900 € | Cerca de 400 € a 1.000 €, consoante potência e funções | Necessidade de novas proteções, passagem por paredes |
Instalação Complexa | Mais de 40 metros, quadro secundário, condomínio ou alterações no quadro principal | O anterior, mais quadro secundário, contador dedicado ou obra de construção | Cerca de 900 € a 1.800 €, podendo ultrapassar este valor | Variável, incluindo modelos trifásicos de maior potência | Trabalhos de construção, gestão dinâmica de carga, autorizações em condomínio |
Além do equipamento e da instalação elétrica, o custo final pode incluir gestão dinâmica de carga, quadro secundário, cabo e tubagem adicionais, trabalhos de construção ou passagem de cabos, e particularidades de uma instalação em condomínio, como contador dedicado ou submedição.
Não foi possível confirmar, com atualidade suficiente, valores específicos para todos os modelos e regiões de Portugal; estes intervalos devem ser tratados como ponto de partida, não como orçamento fechado.
Vale ainda referir que, para uma wallbox de 7,4 kW, a orientação prática mais comum é ter potência contratada de pelo menos 10,35 kVA, embora 6,9 kVA possa ser tecnicamente suficiente consoante os restantes consumos da casa.
Posso instalar uma wallbox numa garagem de condomínio?
Sim, em muitos casos, e a instalação de pontos de carregamento em edifícios existentes é um direito do condómino, a expensas próprias, desde que sejam cumpridos os requisitos técnicos aplicáveis. Sempre que a instalação atravesse ou utilize partes comuns do edifício, é necessária comunicação escrita prévia à administração do condomínio, com uma antecedência habitualmente referida como cerca de 30 dias.
A alimentação pode, quando tecnicamente viável, ser feita a partir da fração do próprio condómino, mantendo a medição associada à sua conta. Existem também soluções com contador dedicado ao carregamento ou modelos de gestão partilhada entre vários condóminos, consoante as características do edifício.
Este artigo não substitui aconselhamento jurídico. Recomenda-se confirmar o procedimento aplicável junto do condomínio, de um técnico qualificado e, quando necessário, de apoio jurídico especializado.
Exemplos práticos
Os exemplos seguintes separam a solução frequentemente utilizada dos elementos que devem sempre ser calculados ou confirmados no local. São situações ilustrativas, não orçamentos fechados.
Exemplo 1: Wallbox de 3,7 kW numa moradia, percurso curto
Alimentação: Monofásica, corrente aproximada de 16 A, circuito dedicado desde o quadro principal.
Solução frequentemente utilizada: Cabo de 2,5 mm², disjuntor de 16 A curva C, diferencial tipo A se a wallbox tiver deteção de 6 mA DC integrada.
A confirmar: Capacidade real do quadro, ligação à terra, e se o equipamento escolhido tem, de facto, essa deteção certificada.
Exemplo 2: Wallbox de 7,4 kW numa garagem próxima do quadro
Alimentação: Monofásica, corrente máxima aproximada de 32 A.
Solução frequentemente utilizada: Cabo de 6 mm², disjuntor de 32 A ou 40 A curva C, diferencial dependente da deteção de 6 mA DC da wallbox, com possibilidade de acrescentar gestão dinâmica de carga.
A confirmar: Potência contratada disponível, hábitos de consumo simultâneo e instruções do fabricante sobre o disjuntor recomendado.
Exemplo 3: Wallbox de 7,4 kW a cerca de 40 metros do quadro
A distância aumenta a queda de tensão e pode justificar subir a secção do cabo para 10 mm², além de tubagem adicional.
Solução frequentemente utilizada: Quadro secundário junto ao estacionamento, reunindo ali as proteções da wallbox.
A confirmar: Cálculo de queda de tensão para o percurso real, método de instalação e necessidade efetiva de contador dedicado.
O custo tende a ser superior ao de uma instalação com percurso curto.
Exemplo 4: Wallbox de 11 kW trifásica
Alimentação: Corrente aproximada de 16 A por fase, exigindo alimentação trifásica disponível na habitação.
Solução frequentemente utilizada: Cabo com o número de condutores indicado pelo fabricante (com ou sem neutro), disjuntor tetrapolar de cerca de 16 A ou 20 A curva C, e diferencial tipo A com RDC-DD ou tipo B, consoante a certificação do equipamento.
A confirmar: Se o carregador interno do veículo aceita mesmo 11 kW, e se a instalação já dispõe de alimentação trifásica ou se esta terá de ser pedida ao comercializador de eletricidade.
É Obrigatória a Contratação de um Eletricista para Instalar uma Wallbox?
A instalação de uma wallbox deve ser dimensionada, executada e ensaiada por um profissional qualificado e certificado. Este processo culmina na emissão de um Certificado de Conformidade Elétrica, quando aplicável.
Este tipo de circuito opera com corrente elevada durante várias horas consecutivas, tornando crucial o correto dimensionamento do cabo, das proteções e da ligação à terra. Os ensaios finais de segurança são igualmente indispensáveis. A certificação assegura também a validade de quaisquer seguros associados à habitação e ao equipamento.
Instalação de Wallbox na Grande Lisboa e Margem Sul
A Reparo Certo oferece serviços de eletricidade na Grande Lisboa e na Margem Sul, incluindo a avaliação e instalação de wallboxes para carregamento de veículos elétricos e híbridos plug-in.
Durante uma visita técnica, é realizada uma avaliação do:
Estado do quadro elétrico;
Potência contratada disponível;
Ligação à terra;
Percurso e distância até ao estacionamento;
Dimensionamento do cabo;
Escolha das proteções;
Instalação de gestão dinâmica de carga, quando aplicável.
Cada orçamento é personalizado, tendo em conta o percurso e o equipamento selecionado. Se pretende instalar uma wallbox em casa, numa garagem particular ou num lugar de estacionamento em condomínio, entre em contacto com a Reparo Certo para agendar uma avaliação técnica e receber um orçamento.
Os valores e configurações apresentados neste artigo são referências técnicas habituais. O dimensionamento final deve ser confirmado no local por um profissional qualificado, considerando o equipamento, o percurso, o método de instalação e as regras técnicas aplicáveis.
Perguntas Frequentes sobre a Instalação de Wallboxes
Quanto custa instalar uma wallbox em casa?
O custo varia conforme o equipamento, a distância entre o quadro elétrico e o estacionamento, e a complexidade da instalação. Como referência indicativa (valores sem IVA):
Instalação simples: Pode rondar os 250 € a 450 € (apenas trabalhos elétricos), acrescidos do custo da wallbox.
Instalações mais complexas: Com quadro secundário ou percursos longos, podem ultrapassar os 1.800 €.
O valor exato só é confirmado após uma visita técnica.
Preciso de aumentar a potência contratada?
Depende da wallbox escolhida e dos restantes consumos da habitação. Para uma wallbox de 7,4 kW, a orientação prática mais comum sugere ter, no mínimo, 10,35 kVA contratados, embora 6,9 kVA possa ser suficiente dependendo dos hábitos de consumo. A gestão dinâmica de carga pode, em certos casos, reduzir ou evitar a necessidade de aumentar a potência.
Posso instalar uma wallbox numa garagem de condomínio?
Sim, é um direito do condómino, a expensas próprias, desde que sejam cumpridos os requisitos técnicos aplicáveis. Se a instalação atravessar partes comuns, é necessária uma comunicação escrita prévia à administração do condomínio, usualmente com cerca de 30 dias de antecedência.
Uma wallbox de 7,4 kW precisa sempre de cabo de 6 mm²?
É uma referência frequente para percursos curtos a médios, mas não é uma regra fixa. Percursos superiores a cerca de 25 metros podem justificar uma secção de 10 mm². O cálculo final depende também do método de instalação, da temperatura e do agrupamento de cabos.
É obrigatório utilizar um diferencial tipo B?
Não em todos os casos. Se a wallbox possuir deteção de corrente contínua residual de 6 mA integrada e certificada, pode ser utilizado um diferencial tipo A em conjunto com essa deteção. Sem essa funcionalidade, ou quando o fabricante o exija expressamente, é necessário um diferencial tipo B.
Autor
Giovani Junior
Eletricista Certificado
